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Disclaimer: "The
Pretender" and his characters are all property of NBC, TNT and MTM. I won't
get any profit out of this, so please don't sue, ok? Thanks.
Observação: Essa aventura não possui
qualquer vinculo com outro episódio. Encaixa-se perfeitamente em qualquer
temporada.
Sinopse: Jarod assume a identidade de um
detetive particular para investigar um caso de adultério quando descobre a
possibilidade de um assassinato. Enquanto isso, no Centro, o Sr Raines está
mais perto do que imagina de capturar o Pretender fugitivo...
Confiar ou Não
Confiar, Eis A Questão
by Srta.
X (Ruth dos Anjos)
Teaser
Delaware 11:54h da noite
Se não fosse a chuva torrencial
que caía, o silêncio seria quase que absoluto. A noite estava agradável, propícia
à um sono tranqüilo e sossegado, porém, mesmo assim, Sydney não conseguia
dormir. Embora já estivesse deitado em sua cama há mais de duas horas, a ruga
estampada em sua testa transparecia a ansiedade e a preocupação na qual se
encontrava.
Talvez, o sentimento de solidão
que a chuva emanava o tivesse apanhado de surpresa. Seus pensamentos só iam de
encontro a Jarod.
Jarod...
Pobre rapaz. — pensou Sydney. O
que ele estaria fazendo? Estaria aproveitando a liberdade? Estaria seguro o
bastante para não ser capturado? Sim, o termo era mesmo esse. Capturado. Jarod
vivia como um animal enjaulado, ansiando por uma chance de conhecer o mundo além
dos limites impostos pelas grades.
Sydney não conseguia parar de se
preocupar com ele. Afinal de contas, ele fora o único pai que Jarod tivera.
Pai...
Talvez o rapaz nunca descobrisse o
verdadeiro significado dessa palavra. Às vezes, enquanto Jarod ainda permanecia
enclausurado no Centro, Sydney sentia a necessidade que o jovem apresentava por
um abraço paterno, um conselho de mãe. Mas, Sydney sabia que isso era impossível.
Jarod não podia ter família. Isso atrapalharia as pesquisas do Centro.
E por um instante, deixando-se
levar pelo barulho da chuva contra o telhado, Sydney sorriu sutilmente ao
lembrar-se da alegria estampada nos olhos da criança quando saiu na chuva pela
primeira vez...
Jarod devia ter uns dez anos de
idade quando sentiu as gotas de chuva molhando seu corpo. O garoto abriu os braços
a fim de aproveitar o maior volume de água possível, a sensação era a de
liberdade que ele tanto ansiava.
— Vem Sydney! Está fria!
— Não, Jarod. Não quero
apanhar um resfriado. — replicou Sydney, permanecendo protegido para não se
molhar.
— Por que você sempre diz não,
quando lhe chamo para se divertir? — perguntou Jarod, inocente.
— Acho que você já se divertiu
o suficiente. Não quero que você pegue um resfriado.
Jarod entendia muito bem o que
Sydney queria dizer. Seu Tutor havia se arriscado o bastante para lhe deixar
sair, ainda mais, na chuva. O garoto observou meticulosamente ao seu redor como
se estivesse gravando em sua mente cada mínimo detalhe daquele momento. De um
lado, ele viu as árvores, o caminho de pedras, e ao longe, viu o mar.
Aquela sensação de liberdade,
mesmo momentânea, o fascinou. Seus olhos estavam mais astutos do que o
convencional. E por questões de segundos, ele olhou para Sydney, talvez
procurando seu consentimento para suas intenções. No entanto, seu Tutor
permanecia impassível, fitando-lhe seriamente com seu olhar enigmático.
Então, mesmo sabendo que não
daria certo, Jarod teve que tentar.
Impulsivamente, o garoto correu em
disparada.
— Não Jarod... Não. —
murmurou Sydney, decepcionado com seu aluno, decepcionado consigo mesmo.
Sydney não saiu em seu encalço
como Jarod havia pensado. Ele permaneceu lá, parado, sem mover um único músculo
para tentar apanhá-lo.
— Vai a algum lugar? —
perguntou o homem de terno escuro, segurando o menino, inesperadamente.
Jarod devia ter desconfiado...
Por isso, Sydney estava tão
calmo. Apesar de ter desobedecido ordens, ele não confiava em Jarod. Ele sabia
que a criança tentaria a chance de escapar. Diante disso, mesmo sem o
consentimento de seu irmão Jacob, e principalmente do Sr Raines, Sydney mandou
que dois seguranças vigiassem o garoto.
Jarod estava inconformado. Ele
confiava em Sydney fielmente, era seu melhor amigo, porém, Sydney não confiava
nele.
— Sydney, eu só queria que você
visse o mar comigo! — gritou Jarod, inconsolável, enquanto era arrastado pelo
segurança.
— Me desculpe, Jarod... —
sussurrou Sydney, sem permitir que a criança lhe escutasse.
Sydney vivia num conflito ideológico.
Sua incongruência emocional o perturbava diariamente. O Dr. tinha que fazer seu
trabalho, continuar com as experiências, mas sentia-se mal com aquilo. Não
suportava os maus tratos que aquela criança passava.
Talvez nunca se perdoasse por
isso...
"The
Pretender"
Há indivíduos
extraordinários entre nós.
Gênios com a
capacidade de se transformar em qualquer pessoa.
Em 1963, uma
companhia chamada o Centro, localizou um desses.
Um jovem menino
chamado Jarod, que explorou sua genialidade para uma
pesquisa não
oficial.
Então
um dia, seu Pretender fugiu...
Episódio de hoje:
"Confiar
ou não confiar,
eis a questão"
Delaware, 09:45h AM.
Não muito longe dali, num
quartinho, desses de hotéis baratos, Jarod abria seu caderno vermelho de anotações.
Folheando as páginas que acabara de colar, ele averiguava se não havia
esquecido nenhum detalhe.
Mary Anne Leoni casa com Joseph
Clark, um grande empresário da área de automóveis. O casamento foi uma das
mais badaladas festas da Califórnia e os convidados especiais disseram que o
jovem casal parecia muito feliz.
Jarod pôde ver nitidamente uma
outra foto que saiu na coluna social do jornal há vinte anos atrás. Mary Anne
havia se casado mais duas vezes com cidadãos da mesma classe social. Viúva por
duas vezes consecutivas, o montante em seu cofre no banco era incalculável.
Jarod mal podia esperar que
amanhecesse para por seu plano em prática. Seu olhar estava repleto de imaginação...
No entanto, deixando o caderno de
lado, ele foi até seu lap top que carregava sempre consigo. E, enquanto baixava
alguns arquivos da rede, ele conversava secretamente com um de seus amigos do
Centro através de um desses canais de bate-papo.
# Como andam as coisas por aí?
— digitou Jarod.
# Algo está prestes a acontecer.
Raines está mais estranho do que o normal. Você está seguro, Jarod?
Jarod estava intrigado. Já fazia
algum tempo que fugira do Centro, e desde que conversava com Ângelo através do
computador, ele nunca tinha feito essa pergunta. Por um instante, Jarod
sentiu-se ameaçado.
# Fale sobre Raines.
# Hoje, fiz uma simulação. Eu
era você. — respondeu Ângelo.
# E o que eu estava fazendo?
# Raines apanhou você.
Nesse instante, a conexão com Ângelo
foi interrompida.
Jarod sabia que Ângelo tinha que
se esconder. Não era permitido para ele ficar em frente aos terminais do
computador sem a presença ou autorização expressa de Raines. Ângelo teve que
sair correndo em direção ao tubo de ventilação. Um dos limpadores (rastreadores)
fazia a ronda costumeira.
Os arquivos estavam completos e,
embora estivesse preocupado com a afirmação de Ângelo, ele abriu a documentação
conseguida diretamente dos terminais do FBI.
Uma foto recente de Mary Anne
estava incluída nos arquivos confidenciais da polícia federal. Ela era
considerada a nova viúva negra do estado, no entanto, por falta de provas,
nunca fora apanhada. No mesmo arquivo, Jarod descobriu que ela tinha um filho do
primeiro marido vivendo numa instituição para doentes mentais e uma irmã
adotiva.
Ao ler aquilo, um sinistro sorriso
transpareceu em seus lábios. Com certeza, Jarod tramava algo...
O anúncio do jornal dizia:
Detetive Particular. Sigilo absoluto. Especialista em casos conjugais.
Equipamento de alta tecnologia. Devolução de dinheiro caso não resolvido. Cel:
555-5115. Falar com Sr.M.
A mulher esguia de roupas
requintadas, lia o pequeno anúncio no jornal e parecia interessada. Sigilo,
discrição. Era exatamente isso que ela estava procurando. Com a mão no
queixo, imaginava uma boa maneira de entrar em contato com o detetive.
O quarto estava escuro, exceto
pela luz do refinado abajur iluminando sua leitura. Fizera alguns círculos ao
redor de vários anúncios, mas aquele em particular, havia lhe chamado a atenção.
Já era tarde da noite, e seu
marido dormia ao seu lado na cama. O homem sequer desconfiava das intenções de
sua esposa.
Na manhã seguinte, assim que
Jarod terminara de tomar banho, o telefone celular em cima da cama tocava
insistentemente. Ainda enrolado na toalha, Jarod esperou mais dois toques e
finalmente atendeu.
— Malone. — disse ele,
secamente.
Um certo silêncio se fez presente
do outro lado da linha. Alguém parecia não saber como iniciar a conversa.
— É sobre o anúncio no jornal?
— perguntou Jarod.
— Sim. — respondeu a voz de
mulher. — Preciso dos serviços do detetive particular.
— Pois não? Aqui é o detetive
Malone. Que tal marcar um lugar para nos encontrarmos. Não confio em telefones.
— Está bem.
— No parque, perto da Biblioteca
Pública. — disse Jarod. — Pode ser daqui a meia hora, senhora...?
— Mary Anne. — completou. —
Sim. E como o reconhecerei?
— Estarei lendo um jornal, na
banca de revistas.
Meia hora depois, Mary Anne
encontrava-se no parque, precisamente em frente ao estabelecimento comercial, no
entanto, ela não vira ninguém lendo jornal, para falar a verdade, não viu
ninguém perto da banca, exceto, o próprio dono. E não deu para ver quem era,
pois o homem lia um jornal.
Por um instante, Mary Anne pensou
estar sendo enganada. Talvez o tal detetive não exista. Talvez seja algum tipo
de brincadeira, uma armação, ou qualquer outra coisa. Mary Ann estava indo
embora, quando o vendedor perguntou:
— Mary Anne?
A mulher virou-se surpresa.
— Me desculpe, mas eu não tinha
certeza. — comentou Jarod, sorrindo.
— Sr. Malone?
— Em pessoa.
— O senhor trabalha aqui? —
perguntou Mary Anne.
— Apenas um bico.— respondeu.
— Não se preocupe. É apenas para não levantar suspeitas. Alguém que vive
se escondendo, tem que estar sempre à vista para não ser apanhado. —
completou.
Mary Anne franziu as sobrancelhas,
intrigada. Malone parecia um sujeito esperto. E apesar da perspicácia e o
cinismo em seu rosto, havia algo mais no olhar do rapaz. Mary Anne não soube
identificar o que era.
— Então, em que posso ajudá-la?
— Quero que você siga meu
marido. Não importa onde, quando e nem a que horas. Quero saber de tudo. Não
se preocupe com seus honorários. Pago o que for necessário.
O Centro, Blue Cover, Delaware.
Hora do almoço.
Sentado em frente ao computador,
enquanto comia seu sanduíche de pasta de atum, Broots fazia uma varredura das
últimas 24h. Ele estava com a impressão de que alguém havia mexido em seu
terminal. O pacote Crack Jack embaixo de sua mesa, era mais do que uma
impressão, era simplesmente, uma evidência.
— O que você está fazendo,
Broots? — perguntou Sydney, curioso. O psiquiatra sempre percebia quando ele
estava preocupado.
— Nada demais. Apenas trabalho
corriqueiro. Coisa de costume.
— Claro. — comentou. — E por
falar em trabalho, aonde está a Srta Parker?
— Sei que pode parecer estranho,
mas ela saiu com o Sr. Raines. Acho que eles estão tramando alguma coisa.
Sidney fora pego de surpresa.
Aquela informação parecia punhaladas em suas costas.
— E levaram o Ângelo com eles.
— acrescentou Broots.
— Você tem certeza?
— Absoluta.
A Srta. Parker e o Sr. Raines não
se davam muito bem. Na verdade, eram quase como água e óleo. Algo muito
estranho realmente estava acontecendo. Sydney ficou preocupado. Será que haviam
descoberto alguma pista sobre Jarod? Por quê não lhe avisaram? Sydney sabia
muito bem a resposta. Raines não confiava nele.
— Fico surpreso por você não
ter sido informado, Sydney. — completou Broots.
— E para onde levaram o Ângelo?
— Isso eu não sei.
— O que ele está fazendo? —
perguntou o homem, um pouco acima do peso, já irritado.
— O trabalho dele. — respondeu
Raines, secamente, com sua voz capaz de proporcionar calafrios.
A situação era mesmo estranha.
Digna de arrepios. Um homem arrastando um tubo de oxigênio, uma mulher bonita,
porém bastante fria e mal-humorada, três guarda-costas, um deles apontando a
arma, e o mais estranho de todos era aquele outro...
O rapaz parecia maluco, se não
fosse pior!
O Estúdio de Fotografia do Tio
Joe fora simplesmente invadido por aquelas pessoas. E apesar de transparecer
irritação, Joe estava morrendo de medo.
Ângelo estava sentado no chão,
no meio da sala, apenas pensando. Parecia infiltrado em outro mundo. O mundo de
Jarod.
— O que ele queria nessa
espelunca? — perguntou Parker, demonstrando desdém.
— Quem? O Jarod?
— Não. A vovózinha... —
comentou a moça, fumando compulsivamente.
Raines permanecia calado, apenas
observando, com o olhar vazio, sem qualquer sentimento.
— Ele queria saber mais sobre
fotos.
— Sério? — manifestou Parker,
já entediada.
— Se bem que ele já conhecia
tudo sobre fotografias.
— O que ele queria afinal? —
perguntou Raines, transparecendo não agüentar mais rodeios.
Joe parecia ter entendido.
— Não queria que alguém fosse
capaz de perceber uma montagem. E sabe de uma coisa? Ele pode fazer qualquer
uma. — disse Joe.
Nesse instante, Ângelo
levantou-se repentinamente em sua direção. O rapaz fitou Joe por alguns
segundos, como se estivesse tentando ler seus pensamentos, sua alma. E
inesperadamente, Ângelo começou a revistá-lo.
— Ei! Ei! — reclamou Joe,
inutilmente.
Ângelo retirou o envelope
escondido no bolso interno do casaco, e entregou para Raines. E antes mesmo que
abrisse, Ângelo começou a rir. O jovem sorriu tanto, que até mesmo Joe e um
dos varredores (segurança) acompanharam a risada.
A Srta. Parker tentava imaginar o
motivo de tanta alegria.
Quando Raines abriu o envelope,
seu olhar permaneceu o mesmo, confiante, frio, cruel. — Jarod continua agindo
feito uma criança. — disse ele, ríspido.
A Srta. Parker, praticamente tomou
a foto das mãos de Raines. E quando ela o viu na foto com cabelo tipo rastafari,
não agüentou. Teve de rir. A fotografia parecia perfeita. Sem dúvida nenhuma,
quem não conhecesse Raines, diria que ele era um cantor de Reggae.
— E agora Bob Marley? —
perguntou a Srta. Parker.
— Já se divertiu o bastante?
Parker fez um muxoxo nada simpático.
—De volta para o Centro. —
disse Raines, apressado.
A Srta. Parker já estava
acostumada com isso. Jarod nunca deixava uma pista razoável. Estava sempre um
passo à frente.
A noite repleta de estrelas
parecia não ser notada e nem mesmo a lua cheia chamava a atenção de alguém.
Todos na cidade estavam ocupados demais para isso. Exceto Jarod. Por um
instante, encostado no poste, o rapaz parou admirando o céu e sorriu sutilmente
com a sensação de liberdade que a lua emanava. E repentinamente, viu-se preso
em seus pensamentos...
— O que houve, Jarod? —
pergunta Sydney, preocupado.
Sidney desconfiava que Jarod
tentasse fugir. Ultimamente, o rapaz estava agindo estranhamente. Seu
comportamento diante as simulações eram quase que mecânicas. Jarod não
estava reagindo como deveria. Parecia inconformado, demonstrando traços de
rebeldia.
—O que estou fazendo aqui? Por
que faço essas coisas?
— Eu já lhe respondi isso
antes. Você ainda era uma criança quando me perguntou isso. — disse Sydney.
— Você ajuda pessoas, Jarod. — acrescentou Sydney.
— Quais pessoas? — perguntou
Jarod.
Sydney desviou o olhar evitando a
perspicácia do rapaz. Seus olhos escondiam algo, talvez a verdade que tivesse
medo de pronunciar.
—Eu queria conhecer minha família...
será que ainda tenho família, Sydney...?
— Ele ainda não está pronto
para a simulação? — perguntou Raines, aproximando-se.
Jarod sentiu-se intimidado com a
presença de Raines. Ele sempre ficava. Jarod detestava aquele lugar, temia ter
que passar toda a sua vida aprisionado sem nunca ter feito crime algum, mas o
que mais lhe causava medo era aquele homem. Sentira até mesmo calafrios com sua
presença.
E inesperadamente, enquanto olhava
a lua desapercebido, Jarod sentiu uma pontada em sua nuca. Ele reconheceu
imediatamente a superfície fria de um revólver. Ficou com medo. Sentiu-se ameaçado.
Será que Raines teria lhe encontrado? Será um agente do Centro?
— Passe a grana. Vamos! —
sussurrou o desconhecido.
Embora fosse um assalto a mão
armada, Jarod ficou aliviado.
— Tenha calma. — disse ele,
mansamente, percebendo o nervosismo no qual o assaltante se encontrava.
Jarod deu uma boa olhada ao seu
redor, fazendo um reconhecimento dos pontos estratégicos para um possível
companheiro do criminoso. Contudo, não o avistou. Diante disso, percebeu que o
homem estava agindo sozinho.
—Você não me escutou? —
replicou o assaltante, nervoso. — Passe logo o dinheiro!
Jarod estava curioso. Apesar da
voz transparecer extrema autoridade, estava tremula. Com certeza, o ladrão não
possuía muita experiência, ou talvez, estivesse se contendo para não atirar
antes da hora. Jarod resolveu arriscar. Virando-se rapidamente, mas de forma
meticulosa, ele pôde observar seu agressor perfeitamente.
Devia ter no máximo uns vinte e
cinco anos de idade. Roupas folgadas, franzino.
— Você é maluco? — disse o
ladrão, cada vez mais nervoso. — Vamos, me dê logo o maldito dinheiro!
Jarod olhou para as mãos do
bandido. Estavam tão tremulas quanto a voz.
— Não costumo carregar dinheiro
quando saio. — disse Jarod, com uma voz mansa, quase irritante.
— Não estou para brincadeiras!
— replicou o assaltante, olhando à sua volta. Ele sabia que já estava
demorando muito. Alguém na rua podia ver ele apontando aquela arma. — Se você
não me entregar o dinheiro, eu atiro em você! Juro que atiro!
Jarod desviou a atenção da arma
quando viu o senhor requintado saindo do hotel do outro lado da rua.
— Eu sei que você atira, —
retrucou Jarod, enquanto retirava a arma das mãos do bandido, num movimento rápido
e gracioso. — o problema é se você quer atirar. — completou, já segurando
o revólver.
O assaltante viu-se em pânico.
Aquilo não podia ser possível! O homem sequer estava olhando para ele! Foi
tudo muito rápido... E quando estava prestes a correr, Jarod impediu-lhe
apontando a arma.
— Agora quem assalta quem? —
disse Jarod, sorrindo cinicamente. E mesmo prestando a atenção no jovem à sua
frente, ele não esquecera o homem no hotel.
Jarod retirou as balas e
colocou-as no bolso. E devolvendo a arma para o dono disse:
— Por que você não arranja uma
maneira mais honesta de ganhar a vida?
— Você já viu o índice de
desemprego? Quem você é? É da polícia?
— Já fui. — respondeu Jarod.
O homem em frente ao hotel parecia
esperar por alguém. E quando Jarod percebeu estar certo, ficou surpreso com a
situação. Ele viu uma senhora mais nova que a Sra. Clark, conversando com o Sr
Clark.
Os olhos de Jarod escondiam algo.
Estava na hora de colocar seu plano em prática. No entanto, antes de mais nada,
Jarod tinha que verificar os fatos e as conseqüências. E ainda tinha que dar
um jeito no ladrão...
— Vou precisar de sua ajuda. —
disse Jarod, fitando diretamente nos olhos do outro.
— Sem essa, cara! Vou me mandar!
— replicou, prestes a fugir.
— Eu não faria isso se fosse
você... — comentou Jarod, num tom nitidamente ameaçador.
O sujeito parou quase que
instantaneamente.
— E por que não?
Jarod sorriu sinistramente. Seu
semblante transparecia uma incrível feição maquiavélica. E ele não precisou
responder, apenas completou:
— Esqueço que você tentou me
assaltar, se você me ajudar num caso. É uma grande oportunidade.
— Você é maluco, não é?
— Talvez. — disse Jarod,
retirando uma moderna máquina fotográfica do casaco e entregando ao jovem.
— O que o faz pensar que não
vou embora com sua bela câmera?
— Você não é bobo. Talvez,
seja sua noite de sorte.
Pensativo, o garoto franzino
pergunta:
— E o que tenho que fazer?
O sorriso sinistro de Jarod se
desvaneceu, cedendo lugar a um sorriso de satisfação. Ele sabia que aquele
rapaz não era um mau sujeito, apenas não tivera a chance de provar o contrário.
Entre a escuridão da pequena
sala, somente a luz do computador iluminava o recinto. Raines digitava algo
rapidamente. E parecia bastante infiltrado em seus pensamentos, quando de
repente, alguém abre a porta e entra sem pedir licença. Apesar da escuridão,
Raines sabia muito bem quem era, e comentou com sua voz peculiar, ofegante:
— Sua mãe não ensinou-lhe a
bater na porta antes de entrar?
— Não comece com suas ofensas,
Raines. — disse Sydney, acendendo a luz.
Sydney andava de um lado para o
outro da sala, como um animal enjaulado esperando a chance de dar o bote no
domador.
Raines percebeu a tensão em seu
"amigo" e parou com a digitação, desligando o monitor.
— O que você pensa que está
fazendo? — perguntou Sydney, irritado.
— Meu trabalho. — responde
Raines, arquejante.
— Droga, Raines! Você sabe que
eu sou o tutor do Jarod. Se você tem alguma pista sobre ele, eu também devo
saber!
— Você tem razão...
— E por que você saiu em diligência,
sem sequer comunicar-me?
— Não achei que fosse necessário.
— Você o quê? — insistiu
Sydney. — Você sabe que o Jarod confia em mim. Ele tentaria se aproximar se
eu estivesse presente.
— Isso é o que me preocupa.
— O quê?
— O Jarod confia em você.
Sydney engoliu a seco. Desviou o
olhar para evitar a perspicácia de Raines.
— Amanhã, Sydney. Amanhã
colocarei você a par dos últimos acontecimentos. — disse Raines saindo, e
deixando Sydney sozinho entre as sombras.
O cheiro forte de álcool
impregnado em qualquer hospital, fazia com que Jarod se lembrasse de fatos que
ele queria esquecer. E mesmo sendo uma clínica psiquiátrica, a sensação de
mal-estar era constante, mas Jarod sabia disfarçar muito bem.
— Dr. Ross! — disse uma
enfermeira mais do que super feliz ao ver Jarod no corredor. — O senhor por
aqui, a essas horas? Aconteceu alguma coisa? — perguntou surpresa.
— Olá Sra. Kelly. — respondeu
Jarod quase que profissionalmente, mas seu olhar era de intimidade. — Vou
ficar algum tempo fora da cidade e gostaria de dar uma última olhada no David.
— disse ele.
A enfermeira não demonstrou tanta
surpresa assim. Jarod era diferente dos outros médicos. Sempre preocupado com
as pessoas. E a moça sabia disso...
— E o seu problema? Já está
resolvido? — perguntou ele.
Kelly gesticulou como se tivesse
sido atingida no coração.
— E como! — respondeu a moça.
— Não é que meu marido adorou aquela comida maluca que você ensinou.
Jarod sorriu satisfeito.
E mudando de assunto, a enfermeira
informou um pouco decepcionada:
— A Dra. Walker esteve aqui
hoje. Ela achou mais conveniente mudar a sua orientação. A doutora disse que o
senhor ainda é jovem e não conhece o paciente muito bem.
— Tudo bem. Não se preocupe.
Depois eu converso com a doutora. — replicou Jarod, abrindo lentamente a porta
de um dos quartos. — Ele tomou todos os sedativos que a Sra. Walker mandou?
A enfermeira afirmou com a cabeça,
saindo logo em seguida.
Assim que Jarod entrou no quarto,
ouviu um barulho discreto, mas delator. Ele seguiu em direção a janela e abriu
as cortinas possibilitando que uma brisa acolhedora entrasse.
— Olá David. — disse Jarod.
O rapaz envolvido entre os lençóis
levantou-se rapidamente. E abrindo uma gaveta ao lado da cama, apanhou algumas
capsulas, talvez sedativos, e entregou a Jarod.
— Fiz do jeito que o senhor
ensinou. — disse David, com uma nítida inocência estampada nos olhos.
— Muito bem!
— David não gosta da Sra.
Walker. Ela é má. Não é como Jarod. — comentou o garoto.
Jarod sentou-se na beira da cama.
— Vou contar um segredo para você,
David. Mas tem que prometer que não vai contar para ninguém...
— Claro! David não conta.
— Eu não sou médico de
verdade. — sussurrou Jarod.
David sorriu e disse: — Eu também
quero contar um segredo.
— E qual é? — perguntou
Jarod, curioso.
— Também não sou louco de
verdade. — cochichou.
— Mas isso não é segredo,
David. Eu já sabia. — comentou Jarod, levantando-se e indo novamente em direção
à janela.
David parecia desconfiado. Mas,
para um rapaz numa clinica de doentes mentais, isso era muito comum...
Jarod olhou para fora, viu o
estacionamento, um ponto de ônibus ali por perto e as folhas das árvores balançando
com o vento. E por um instante, lembrou-se de si mesmo. Aquelas grades impostas
na janela proporcionavam pensamentos dolorosos.
— E o chocolate? — perguntou
David.
— Pensou que tivesse esquecido,
não foi? — disse Jarod, retirando o doce do bolso.
David apanhou a guloseima e começou
a ler a embalagem.
— Ah... não tem ameixa...
— Ameixa? — indagou Jarod,
agora interessado nas barras da grade da janela, enquanto prestava a atenção
nas palavras de David.
— É...
— Mas, a ameixa não tira o
gosto do cacau? — insistiu Jarod, observando meticulosamente as grades e
percebendo uma arranhadura na base.
— Fica muito mais gostoso.
— Da próxima vez, trago com
ameixas. — completou, empurrando a barra com destreza e percebendo estar
solta.
Jarod percebeu que a abertura
proporcionada com a ausência daquela barra, dava para alguém entrar no quarto,
ou até mesmo sair. E sorriu discretamente com isso.
Já era tarde da noite, e as
palavras de Raines ecoaram na mente de Sydney por algum tempo: "Jarod
confia em você..." Seria isso verdade? Será que o rapaz realmente
confiava nele? E Sydney seria capaz de suportar a responsabilidade da confiança?
O psicólogo ficou tentando resolver o enigma até que finalmente adormeceu.
E minutos depois, o telefone
celular ao lado do rádio relógio marcando 02:35h AM, tocou por duas vezes
consecutivas.
— Sydney. — disse ele, um
pouco sonolento, ao atender.
— Acordei você?
— Jarod! Onde você está?
— Por que sempre pergunta isso?
Sydney sabia que Jarod nunca
respondia a essa pergunta. Mas, sempre tentava descobrir.
— Força do hábito, Jarod. —
replicou. — Você está bem?
— Melhor do que você, eu acho.
— Por que diz isso?
— Ouvi dizer que o Centro está
deixando você de fora de algumas escolhas.
— Como você sabe? (mais uma
pergunta sem resposta) O Raines está limitando minhas escolhas.
— O que está acontecendo,
Sydney?
— Não sei.
— Você não está mentindo para
mim, está?
— Já disse, Jarod. Não sei.
Você parece saber mais do que eu.
Sydney percebeu o silêncio do
doutro lado da linha. Jarod parecia confuso.
— Não vou deixar que nada ruim
lhe aconteça. Você confia em mim, não é Jarod?
— Deveria?
— Acho que você sabe a
resposta.
— Não, Sydney. Quem deve saber
é você. — disse Jarod. — Tenho que desligar agora. Mas, antes. Uma
pergunta Sydney.
— Sou todo ouvidos.
— Por que uma mãe colocaria um
filho numa clinica psiquiátrica?
— Talvez porque ele estivesse
precisando de ajuda.
— E se isso não fosse verdade?
— Talvez a mãe estivesse
precisando de ajuda. — disse Sydney.
Logo após, Jarod desligou o
telefone. Sydney já estava acostumado. Jarod sempre ligava para ele perguntando
coisas sem nexo aparente, mas Sydney entendia o rapaz. Jarod estava sempre
tentando entender o mundo que o cercava.
O Centro, quarto de Jarod, 09:30h
AM.
Delaware.
Assim que a Srta. Parker entrou,
ela pôde observar Sydney sentado na cama, encostado na parede, nitidamente
contrariado. Seu olhar representava o mais puro furor. Broots estava de pé,
perto da porta, pronto para ser o primeiro a sair. Mas, o que realmente lhe
chamou a atenção foi seu pai. O Sr. Parker estava sentado na cadeira ao lado
da mesa.
— O que é isso? Algum clube do
Bolinha? — perguntou a Srta. Parker.
— Sente-se, querida. — disse
seu pai.
Sydney permaneceu calado, apenas
observando e avaliando a situação. E instantes depois, Raines chega.
— É bom ver que todos estão
aqui. — comentou ele, com seu tom de voz característico.
— Não tenho o seu tempo a
perder, Raines. — replicou o Sr. Parker. — Espero que essa reunião tenha
alguma finalidade.
— É claro que sim. — disse
Raines, fitando Sydney nos olhos.
Sydney o encarou friamente. Com
certeza, o relacionamento de amizade que algum dia pudesse ter existido, ficou
para trás, encoberto por conspirações e mentiras.
Raines começou a andar de um lado
para o outro, imaginando como iniciar a conversa e finalmente disse:
— O Projeto Pretender assim como
as pesquisas do NuGenesis estão caminhando a passos lentos devido a fuga de
Jarod. Ele levou consigo todas as simulações obtidas durante anos e acarretou
prejuízos ao Centro.
— Uau! Você descobriu isso
sozinho e ainda conseguiu nos comunicar? — comentou a Srta. Parker,
ironicamente.
Raines ignorou o comentário e
prosseguiu:
— Já faz algum tempo que nosso
Pretender fugitivo está à solta e parece que não pretende voltar.
— Você se superou, Raines. —
interrompeu a Srta. Parker.
— Sr. Raines, esse tipo de relatório
já estou acostumado a receber. Afinal, por que estou aqui? — perguntou o Sr.
Parker, impaciente.
— Está certo. — replicou
Raines, ofegante. — Muitas de nossas tentativas de apanhá-lo não tiveram o
resultado esperado.
— Muitas? — sussurrou Broots,
sorrindo. Mas, ao perceber os olhares cortantes como facas, fitando-o, ele
engoliu a seco e abaixou a cabeça timidamente.
— Não é necessário que o
sigamos por todo o país. Jarod é esperto. Não vai ser apanhado dessa maneira.
— completou Raines.
— E qual a sua sugestão? —
perguntou Sydney, curioso, mas temendo a resposta.
— Jarod virá até nós. —
respondeu Raines, confiante.
— E como será isso? — indagou
a Srta. Parker. — Você vai lhe mandar um convite?
— Exatamente isso, Srta. Parker.
Sydney proporcionou uma rápida
massagem em sua testa. Ele parecia nitidamente tenso. Desconfiava perfeitamente
das intenções de Raines.
— Jarod passou a maior parte do
tempo aqui, nesse quarto. Não acredito que ele queira voltar. Possui muitas
lembranças. Lembranças essas nada agradáveis. — comentou Sydney, antes de
sair.
A Srta. Parker compreendia o
relacionamento de Sydney e de Jarod. O sentimento de pai e filho era mais
profundo do que o dela e seu pai. Por isso, ela entendia muito bem porque às
vezes, Sydney demonstrava sinais de fraqueza e não fazia o possível para apanhá-lo.
Era um relacionamento paternal baseado na confiança.
Confiança...
Jarod realmente confiava em Sydney
o bastante para atender as intenções de Raines?
Algum tempo depois, no escritório
do Sr. Parker, Sydney entra e encontra Raines, o próprio Parker e um homem que
ele nunca vira antes.
Sydney estava nervoso, ele sabia
que aquele desconhecido, todo vestido de preto, significava problemas.
— Sydney, você sabe que o plano
de Raines pode obter o êxito esperado. — disse o Sr. Parker.
Nesse instante, o desconhecido
aproximou-se de Sydney, e como se estivesse examinando uma caça apreendida o
observa tempestivamente. Sentando-se logo em seguida, no sofá ao lado, o homem
de preto colocou os óculos escuros e permaneceu calado. Com certeza, aquele
estranho representava o nível mais baixo da cadeia alimentar. E Sydney
sentiu-se ameaçado
— Você que decide, Sydney...
— comentou Raines, friamente. — Ambos queremos o Jarod vivo.
Como um estalar de dedos, Sydney
percebeu que devia cooperar. Jarod confiava nele. Mas, isso que Raines estava
pedindo, colocaria essa confiança numa corda bamba. Porém, Sydney notou a
verdadeira dimensão do problema...
Se ele não cooperasse, isso não
seria relevante. Raines estava disposto a prosseguir mesmo assim. E o Sr. Parker
parecia consentir com as idéias de Raines. Então, Sydney entendeu que tinha
que continuar vivo para proteger Jarod.
— Está bem, Raines. — disse o
doutor em psicologia, um pouco melancólico. — Eu coopero.
Agora, era apenas questões de
dias para capturar o Pretender fugitivo...
A pequena luz vermelha na porta
avisava que o quartinho escuro estava sendo utilizado. Jarod revelava algumas
fotos tiradas no dia anterior.
As fotografias penduradas perto da
pia, esperando a secagem, pertenciam a Sra. Mary Anne, ou melhor, ela era a
protagonista das imagens. Podia-se ver nitidamente, a Sra. Mary Anne andando no
parque central. Jarod havia tirado algumas fotos antes mesmo de conhecê-la,
enquanto Mary Anne ainda procurava-lhe no parque.
Utilizando-se de um programa de
computador, a montagem intencionada estava pronta. Como um verdadeiro mestre na
arte fotográfica, Jarod montou uma foto na qual a Sra. Mary Anne parecia muito
feliz ao passear abraçada com um homem que não era o seu marido. Jarod
transformou o seu amigo Joe num novo homem e enquadrou-lhe na foto. Antes, com
alguns quilos a mais, o Tio Joe estava totalmente em forma. A foto parecia
perfeita. Quase ninguém seria capaz de perceber a montagem. Jarod guardou a
fotografia num envelope a parte, e quando o seu amigo da noite passada, ou
melhor, o rapaz que pretendia assaltar-lhe chegou, Jarod sorriu com satisfação.
— Puxa, cara...! É isso que você
chama de trabalho honesto? — perguntou Tim, surpreso, entregando-lhe as fotos
recém reveladas num estúdio ali perto.
Tim era o nome do rapaz que tentou
assaltar Jarod. Agora, Tim era amigo de Jarod. O rapaz franzino atendeu ao
pedido de Jarod e ficou seguindo o Sr. Clark durante a noite toda. Ele conseguiu
belas fotos.
— É bem melhor do que sair
apontando armas por aí. — replicou Jarod, sem fitar-lhe, ainda olhando para o
envelope em suas mãos.
Tim ignorou o comentário e passou
a observar o pequeno quarto. Era um lugar bastante peculiar. Sem cama, a pintura
das paredes caindo, apenas uma mesa com modernos equipamentos eletrônicos. Um
verdadeiro pardieiro.
— Você não dorme? —
perguntou Tim.
— Só quando estou cansado o
bastante. — disse Jarod, enquanto olhava as novas fotos. — É... ficaram
muito boas. Onde você aprendeu a tirar fotos assim?
— Com a câmera que você me
deu, sou capaz de fotografar até mesmo um alien em Marte!
Jarod colocou as novas fotografias
num outro envelope e escreveu:
Sr. Clark, Malone.
O computador estava ligado e Tim
notou o vídeo. Apenas para uso do Centro. O rapaz também notou a situação na
qual o garotinho no filme se encontrava. Tim percebeu instantaneamente que era o
próprio Jarod.
No DSA, Jarod estava com alguns
eletrodos na testa. Parecia fazer algum tipo de teste. Então Tim perguntou:
— O que é o Centro?
— Um lugar que deve ser
esquecido.
— Tudo bem... todos nós temos
nossos segredos, não é?
Jarod apenas respondeu com um
sorriso simpático.
— Então, Sr Pantera Cor de
Rosa. O trabalho está feito.
Jarod franziu a testa. Parecia
surpreso.
— A Dona que lhe contratou já
pode se dar por satisfeita. O marido é um tremendo sacana. — completou Tim.
— Sr Pantera Cor de Rosa? —
indagou Jarod, sem entender.
— É claro! Você não sabe?
Os olhos de Jarod faltavam saltar
de tanta curiosidade.
— Você é mesmo esquisito, hein...!
A Pantera Cor de Rosa é um desenho animado. É velho mais é legal. — disse
Tim. — Você não conhece?
— Não. É bom? — perguntou
Jarod, inocentemente.
Tim sorriu com despeito, incrédulo,
antes de falar:
— É um desenho esperto. Ficou
conhecido como a marca dos detetives particulares.
— Puxa, eu não sabia... —
comentou Jarod. Seu olhar era quase como de uma criança demasiadamente
interessada num brinquedo novo.
— Você tem um e-mail. — disse
Tim, observando o monitor do computador.
Jarod foi verificar enquanto Tim
olhava o arquivo de Mary Anne caído no chão.
Quando Jarod abriu a caixa de
e-mail, ficou bastante intrigado. Ele pôde ler nitidamente a mensagem que
dizia:
"Só se pode encher um vaso
até a borda, nem uma gota a mais".
Jarod ficou olhando para aquela
mensagem por alguns segundos tentando entender o verdadeiro significado. Era um
velho provérbio chinês. Poderia ser interpretado de várias maneiras filosóficas,
mas Jarod sabia que apenas uma teria sido enviada para ele. Mas qual?
— Isso é que é mulher fatal!
— disse Tim.
Jarod deixou os papéis de propósito
a fim de avaliar a reação de seu novo amigo.
— Por que? — perguntou Jarod.
— Você deve estar brincando...
Ela vai matar mais um marido!
— Só porque está nos arquivos
do FBI?
— Você pegou isso do FBI? —
perguntou Tim, nervoso.
— Digamos que foi um favor.
— Tudo bem, não quero saber.
Mas, acho melhor alguém prender essa mulher antes que o otário de ontem vá
para onde o vento faz a curva...
Jarod sorriu discretamente,
fazendo um certo charme.
— A mulher da fotografia que você
tirou juntamente com o Sr. Clark é irmã adotiva de Mary Anne.
— Sério?
Jarod afirmou com a cabeça.
— A Sra. Mary Anne tem um filho
do primeiro casamento.
— E daí...?
— O garoto chama-se David e está
internado numa clínica psiquiátrica.
— Maluco. — comentou Tim. —
Mas, não entendo Jarod.
Jarod esqueceu por alguns
instantes o e-mail e interessou-se mais no caso em questão.
— Andei fazendo algumas
pesquisas e descobri que nenhum dos outros maridos da Sra. Mary Anne sabiam da
existência dele.
— Ela esconde algo? —
perguntou Tim, curioso.
O jovem parecia interessado.
Jarod consentiu.
— Essa Mary Anne deve ser milionária...—
comentou Tim. — Vai ver é esse David que está matando todo mundo e ela está
protegendo o filho. — completou.
— Ou alguém está tendo um
tremendo trabalho para fazer com que isso pareça verdade... — replicou Jarod,
extremamente pensativo.
— Diga-me, quem é você agora?
— perguntou Raines, da sala ao lado, em frente ao computador.
Todo o procedimento estava sendo
monitorado. Não podia haver erros. Ângelo estava deitado num sofá, desses de
psicólogos, com eletrodos na testa e nos principais pontos vitais. Seu
comportamento e suas batidas cardíacas estavam sendo avaliadas constantemente.
— Eu sou um Pretender. Posso ser
tudo o que eu quiser. — respondeu Ângelo.
— Seu nome. — insistiu Raines.
— Jarod.
Tudo parecia prosseguir exatamente
do jeito que Raines queria. Ângelo já havia assimilado a personalidade de
Jarod. No entanto, mesmo sem acreditar que o rapaz fosse capaz de enganá-lo de
alguma maneira, Raines decidiu prevenir. As drogas utilizadas impossibilitaria
qualquer desvio da personalidade de Ângelo.
Sydney estava ao lado de Raines. E
através do vidro que separava a sala, o doutor parecia preocupado. Ele não
podia fazer mais nada. Podia apenas continuar vivo para que Jarod também
continuasse. Sydney sabia que vivo ou morto, Raines o utilizaria para apanhar
Jarod. Por isso, mesmo arriscando-se a perder a confiança de Jarod, Sydney teve
que cooperar com aquilo, mesmo à contragosto.
No Hospital psiquiátrico, a Dr.a
Sarah Walker examinava um paciente. Ela conversava com uma enfermeira enquanto
isso:
— O Dr. Ross esteve por aqui?
— Sim, doutora. — respondeu a
enfermeira Kelly. — Disse que falaria com a senhora depois. — completou.
— Não falou o que queria? —
perguntou a doutora, curiosa.
— Deve ser sobre o paciente do
quarto 045, o David.
A doutora Walker silenciou-se. Não
parecia mais disposta a conversar.
Algum tempo depois, ela seguiu até
o Departamento de Relações Públicas do Hospital, certificando-se de que ninguém
a tivesse visto entrar. A doutora abriu a gaveta do fichário, remexeu durante
alguns segundos e encontrou o relatório que queria. Na ficha estava escrito:
Jarod M. Ross, formado com louvor
na Universidade da Califórnia. Pós-graduação na França, 1º lugar da turma
de 1987. Especialização em psicoterapia intensiva. Transferido por motivo de
mudança residencial.
O homem parecia bom mesmo...
Jarod já esperava a curiosidade
da doutora. Ele passou discretamente pelo corredor quando viu a Sra. Walker
entrando no Departamento. Aproveitando o momento, aproximou-se.
— Doutora... — cumprimentou
cordialmente, mas com um sorriso estranhamente sinistro.
— Dr. Ross! É um prazer falar
com o senhor! — replicou Sarah. — O David fala muito de você. —
completou, colocando o fichário de volta no lugar, discretamente.
— O prazer é todo meu, Srta.
Leoni. — comentou Jarod. — O David é um bom rapaz. Espero que fale bem de
mim. — completou, sorrindo.
A Dr.a Walker estranhou a princípio.
Quase ninguém a conhecia por Srta. Leoni. Mas, resolveu esquecer. O Jarod é um
homem bonito, talvez estivesse sendo apenas gentil. Quem sabe?
Tudo prosseguia exatamente como
Jarod havia previsto, exceto por uma coisa, e ele tinha que resolver isso o
quanto antes. Despediu-se da doutora e saiu. Instantes depois, Jarod
encontrava-se num shopping da cidade, precisamente numa loja de bugigangas e de
brinquedos.
— E de quantos tipos você tem?
— perguntava ele, à vendedora.
— Vários! Temos desde
brinquedos, pôsteres, canecas, muita coisa mesmo.
— Isso é muito bom. Vou levar
todos. — disse Jarod, entusiasmado.
Horas mais tarde, quando Tim
entrou no apartamento de Jarod, ele teve um susto. O rapaz franzino ficou
extremamente surpreso. O cara é mesmo maluco... pensou Tim ao ver aquilo. Só
podia ser maluco. Não havia outra explicação.
— Tim! — disse Jarod. — Que
bom que veio. Será que você poderia me fazer um outro favor?
— Claro! O número do hospício
está na lista telefônica. Nas páginas amarelas, fácil de encontrar. E não
fica muito longe daqui...
— Eu sei. Acabei de vir de lá.
— respondeu Jarod, com o semblante mais sério possível. Parecia falar a
verdade.
E estava mesmo...
Tim ficou observando os pôsteres,
alguns bonecos de plásticos, a bola encostada a mesa, o tapete da entrada, a
caneca na mão de Jarod, e outras bugigangas com a pantera cor de rosa como
logotipo. Tinha até um robô em miniatura de controle remoto!!!
— Você é doido, cara! —
comentou Tim, sorrindo.
— Por quê?
— Onde diabos você arranjou
tanta quinquilharia?
— Sabia que o desenho animado é
realmente muito bom? — disse Jarod, ignorando a pergunta, enquanto mastigava o
chocolate com ameixa que comprara há poucos.
— Hiii...Olha o cara! —
comentou Tim. — Eu hein! De que planeta você saiu?
Jarod sorriu e entregou-lhe o
envelope endereçado ao Sr. Clark.
— Foi divertido conhecer você.
Espero que não faça mais nenhuma besteira...
— Tá certo. — disse Tim. —
Bom, é só entregar e pronto, não é?
— Isso mesmo.
— Então, até mais detetive.
— Olho vivo!
Tim não acreditou. Confuso,
perguntou:
— Você também andou vendo o
Olho Vivo?
— Quem?
Tim achou melhor não explicar.
Vai ver Jarod compraria mais bugigangas.
— Deixa pra lá... — resmungou
Tim. — Detetive. Isso soa bem. — comentou.
Jarod sorriu.
— Detetive Timothy Abel. É...
— comentou Jarod. — Por que não? — aguçou.
Tim saiu pensativo. Deixou o
envelope na recepção da empresa do Sr. Clark e foi dar uma olhada na Academia
de Detetives. O rapaz ficou intimidado. Dias atrás, assaltando... Bem que foi
sua primeira tentativa, mas isso não era muito bom. Com certeza, alguém
acabaria descobrindo seus pequenos furtos e ele se daria mal. Além do mais,
precisaria de dinheiro. Isso era ainda pior.
Porém, para sua surpresa, quando
ele ia saindo e deixando a oportunidade de lado, alguém gritou seu nome.
— Tim!!
O rapaz não pensou duas vezes.
Correu instantaneamente.
— Ei! Aonde você vai? —
gritou o homem dentro de um carro ali perto.
Tim correu sem sequer olhar para
trás, mas não teve jeito. O desconhecido estava de carro e conseguiu alcançá-lo.
— Calma, garoto!
— Quem é você?
— Você deve ser Timothy,
positivo?
— Quem quer saber? — perguntou
o rapaz, ofegante.
— Sou amigo de Jarod. Ele disse
que você apareceria por aqui.
— Ele disse?
— Sim! Pagou seus estudos na
Academia e tudo!
— Ele fez o quê?
— Mas, com uma condição...
— Qual?
— Que nunca usasse uma arma sem
ser ameaçado.
Tim sorriu. Ele entendeu o que
Jarod queria dizer. Apenas trabalho honesto.
— Por que você correu, rapaz?
— Alguém que você não
conhece, grita o seu nome na rua...
— Tá bom... — comentou, o
outro.
Tim ficou contente. Jarod podia
ser maluco, mas com certeza, era uma boa pessoa. Esquisito, estranho, mas um
cara legal. Tim percebeu que, talvez, a oportunidade de mudar de vida, estivesse
batendo a sua porta. Então, decidiu agarrá-la.
Quando o envelope chegou nas mãos
do Sr. Clark, ele apresentou sinais de satisfação. No entanto, ao abri-lo, seu
olhar demonstrava a mais pura surpresa...
Sua foto estampada em cenas nada
discretas juntamente com a irmã adotiva de Mary Anne, com certeza significava
problemas. O tal do Malone devia estar querendo mais dinheiro. Joseph Clark
ficou furioso.
No Hospital Psiquiátrico, a Dra.
Walker entra em seu consultório. A princípio, ela não estranhou o envelope em
cima da escrivaninha, mas ficou curiosa ao perceber a inexistência de
remetente.
Sarah Walker abriu o envelope e
ficou apreensiva quando viu-se junto com o Sr. Clark.
Maldição! — pensou a doutora.
— O idiota só pode estar querendo mais dinheiro!
Alguns minutos depois, Sarah
Walker fora tomar as devidas explicações. A doutora passou pelo corredor da
Empresa do Sr. Clark sem sequer pedir para ser anunciada. Estava uma fera. Ela não
podia acreditar que ele havia feito aquilo. Mesmo para ele, era sujo demais!
Porém, quando a doutora passou
pelos corredores daquela imensa e luxuosa empresa automobilística, ela percebeu
algo que a deixou como se diz por aí... " com a pulga atrás da
orelha". Sarah podia jurar que viu o doutor Ross na sala de espera. Só que
ele estava estranho. Não parecia o mesmo...
Sempre com roupas discretas, ao
contrário, Jarod usava uma camisa de botões estampada e um boné esquisito com
olhos de um animal atrás.
Na verdade, o boné fazia parte de
sua nova coleção...
Os olhos da pantera cor de rosa
atrás do boné significava que ele estava sempre atento. Jarod gostou disso.
E por falar em atenção...
A doutora Walker entrou no escritório
de Joseph, e encontrou o mesmo envelope em cima da mesa. O Sr Clark estava na
janela, admirando a vista de cima.
Jarod abriu seu caderninho
vermelho e desdobrou uma folha meticulosamente arrumada. Sarah Walker Leoni, irmã
adotiva de Mary Anne Walker Leoni. Jarod riscou Walker e
escreveu: Mary Anne Clark.
David Leoni, único herdeiro da
fortuna de Mary Anne.
Como Sarah Walker era a única
parente viva de Mary Anne, caso acontecesse alguma coisa com ela ou com o seu
filho, Sarah seria a única herdeira. Mesmo adotiva, Sarah Walker ficaria com
tudo, exceto, pelo marido de Mary Anne. Mas, isso já estava resolvido.
O Sr Clark havia contratado um
detetive particular para seguir Mary Anne, no entanto, ela era fiel e isso não
podia acontecer. Então, contratou outro detetive, capaz de fazer uma montagem.
Jarod havia feito a montagem
perfeita, mas decidiu ajudar Mary Anne quando descobriu a veracidade dos fatos.
O Sr Clark disse-lhe que temia ser morto, pois Mary Anne era considerada a viúva
negra, e ele seria o próximo da lista. E, com a prova de que ela o traía; por
serem casados em comunhão de bens, o Sr Clark se daria muito bem.
Foi a própria Sarah Walker que
matou os outros maridos de Mary Anne para o montante em pensões ficar ainda
maior, e no final ela ficar com tudo. O primeiro marido fora vítima de
envenenamento. A substância utilizada não deixou vestígios o bastante como
prova, mas Jarod havia encontrado o material necessário no consultório de
Sarah. O segundo caiu da escadaria da própria casa. Bêbado, disseram os médicos.
Cruel.
Mas, havia o detalhe chamado David.
Então, a Dra. criou pistas no quarto do jovem, pois, caso a polícia viesse
investigar o caso, David seria considerado o culpado. E sendo meio maluquinho,
continuaria internado na clínica com ajuda da doutora, e ela se tornaria sua
tutora e consequentemente, a dona provisória da fortuna. Mas, para isso dar
certo, Sarah teria que acabar ainda com o Sr Clark. Isso não seria difícil.
Joseph se apaixonou pela doutora, e estava disposto a ficar com ela.
Desconhecendo, é claro, suas verdadeiras intenções.
Joseph seria mesmo o próximo da
lista de Sarah Walker. Depois de casada com ele, e com Mary Anne na prisão perpétua
por ter supostamente matado seus ex-maridos, seria fácil acabar com Joseph.
Sarah sabia que Mary Anne não
deixaria David levar a culpa.
E o que Jarod tinha que fazer
agora era colocar tudo no seu devido lugar. Joseph tinha que pagar por enganar
sua esposa. Sarah tinha que ir para a cadeia por assassinato. David tinha que
voltar para casa.
— Seu idiota! Como pôde confiar
em alguém chamado Malone? — gritou Sarah.
Joseph Clark não sabia o que
dizer. Mas, sabia muito bem o que tinha que fazer.
— Ele quer mais dinheiro.
Descobriu com o que estamos lidando e resolveu aproveitar. — comentar Clark.
— Se essas fotos acabarem na mão
de Mary Ann estamos perdidos.
— Não se preocupe, querida. O
que move esse tipo de gente é dinheiro.
— Claro. — comentou Sarah,
identificando-se com o comentário.
Minutos depois, a doutora sai do
escritório. Ela tinha que pensar nas possibilidades. Tinha que encontrar
alternativas. Porém, na saída, encontrou com Jarod.
— Dr. Ross! O que faz aqui?
Jarod demonstrou surpresa.
— Vim conversar com um amigo. E
você?
— Eu também. — respondeu a
doutora.
— Será que é a mesma pessoa?
— perguntou Jarod, curioso.
Sarah fitou-lhe sorrindo
falsamente. Havia alguma coisa naquele homem que a perturbava, mas ela não
sabia o que...
— Você está bem, Sydney? —
perguntou a Srta. Parker.
— O melhor que posso, Srta.
Sydney estava do lado de fora do
Centro, encostado no muro baixo, admirando o mar. Verdade que estava longe, mas
dava-se para sentir o vento e o cheiro característico. O doutor parecia triste,
pensativo. Fora exatamente ali, naquele local, que Jarod havia saído para
brincar na chuva pela primeira vez.
Sydney não sentia-se bem consigo
mesmo.
A Srta. Parker se preocupava com
ele. Sydney sempre fora seu melhor amigo, seu confidente, seu conselheiro. Por
um instante, a Srta. Parker percebeu o quanto Sydney era importante para ela, e
para Jarod.
Amigo. Pai. Sydney desempenhava
seu papel muito bem. Sydney fora o único pai que Jarod tivera. Talvez por isso,
ele estivesse com a consciência tão pesada.
— Não fique assim, Sydney. Ele
apenas irá voltar para casa. — comentou ela.
— Gosto de tê-lo por perto. Me
faz ter a impressão de que ele está seguro. — replicou Sydney. — Mas, sei
que isso não é verdade. Quero apenas o melhor para ele. — completou,
pausadamente. — O mundo lá fora é real. Ele aprendeu muitas coisas. O Jarod
não é mais o mesmo.
— Engano seu, Sydney.— disse a
Srta. Parker. — Ele sempre será o nosso Jarod. — completou, hesitante.
Por questões de segundos, os
olhos azuis da Srta. Parker brilharam mais do que o convencional. Ela lembrou-se
de quando ainda eram crianças e Jarod beijou-lhe o rosto inocentemente. Jarod
sempre fora uma boa pessoa, e seja lá o que acontecesse com ele, isso nunca
mudaria.
Sydney também compreendia a
confusão de sentimentos na Srta. Parker. Uma moça sempre tentando impressionar
seu pai antes de impressionar a si mesma.
— Queria falar comigo? Descobriu
alguma coisa? — perguntou Mary Anne.
— Mais do que a senhora
esperava. — respondeu Jarod.
Curiosa em saber das novidades,
receosa pelo que teria que ouvir, Mary não conseguia compreender por mais que
tentasse aquele sujeito. O apartamento de Jarod era diferente de tudo que ela já
havia visto antes. Ela não resistiu e perguntou:
— Pra que tudo isso? — disse
ela, olhando à sua volta, e observando aquelas bugigangas. — É para
confundir seus clientes?
Jarod sorriu inocentemente e
especulou:
— Não conhece a Pantera Cor de
Rosa? É símbolo dos Detetives Particulares.
— Claro! E você deve ser fã, não
é?
— Agora eu sou.
Jarod contou suas descobertas e a
Sra. Clark ficou completamente estupefata. A princípio, ela não quis acreditar
nos fatos, mas quando Jarod mostrou-lhe as fotos, não restavam mais dúvidas. A
montagem para incriminá-la de adultério, seu marido e sua irmã, e ainda por
cima as suspeitas levantadas contra seu filho David. Aquilo foi demais.
— Isto não é justo. —
comentou Mary Anne. — Tem que haver justiça.
— É apenas um lado da moeda.
— disse Jarod, pensativo, com o olhar enigmático, confiante, quase cruel.
Por mais que se tentasse, nunca se
ficaria sabendo o que realmente se passava por detrás daqueles penetrante olhos
negros.
Momentos depois, Jarod estava
disposto a colocar suas idéias em prática. O rapaz havia assumido a
responsabilidade de ajudar Mary Anne e seu filho, então, nada mais edificante
do que fazer isso pessoalmente. Ele sempre gostava disso. Fazer com que o
agressor pagasse na mesma moeda. Que sentisse na pele a sensação de medo e
horror transferida à vítima. Nada mais justo do que isso. Mas, antes, ele
precisaria de uma certa ajuda.
A porta estava fechada. Jarod
bateu por duas vezes e esperou. Vestido impecavelmente, com um casaco de couro
preto em consonância com a calça e a camisa igualmente preta, não esquecendo
do detalhe dos óculos escuros estilo Bad Boy, que o deixava ainda mais irresistível,
ele parecia-se mais com um modelo de grif famosa do que com um detetive
particular ou médico psiquiátrica.
Com certeza, Jarod adorava gastar
o dinheiro do Centro. E ele fazia isso com bom gosto.
— Jarod?? — disse Tim,
assustado. — O que você está fazendo aqui? — perguntou, intrigado. —
Como sabe onde moro?
— Sou um detetive. Não existe
segredos para mim. — comentou Jarod, divertido. — Mas, você deixou seu
endereço na inscrição na Academia. Não foi tão difícil.
Tim sorriu, convidando-lhe a
entrar. Jarod era mesmo excepcionalmente perspicaz.
— E por falar nisso. Obrigado,
cara. Valeu mesmo. Acho que vou ser um bom detetive.— disse Tim. — Espero
ser tão bom quanto você.
Jarod sorriu com o canto dos lábios.
Sentiu-se bem. O rapaz parecia ter tomado rumo na vida.
— Com alguns anos de prática,
pode ser ainda melhor. — replicou Jarod. — E que tal adquirir experiência?
Eram 10:14h da noite quando a Dr.a
Walker saiu de casa. Aproveitando a oportunidade, Tim esperou que ela estivesse
longe o bastante e usando uma de suas técnicas de arrombamento discreto de
portas, ele entrou.
Tim permaneceu por lá durante
alguns minutos e logo depois saiu sem deixar vestígios.
Enquanto isso, Jarod conversava
com Joseph pelo telefone:
— Se o senhor não acredita em
mim, tire suas próprias conclusões. — disse Jarod. — Por que não vai até
lá e dar uma olhada?
— Vou fazer isso mesmo!
Uma hora depois...
Joseph Clark entrava na casa da
doutora Walker. Ele tinha a chave para seus encontros às escondidas, mas desta
vez, não era um de seus encontros. Ele entrou à procura de provas. E não
demorou muito para encontrá-las. Sarah não o esperava, talvez por isso, tenha
deixado aqueles papéis de fácil acesso. Joseph abriu a gaveta da escrivaninha,
e encontrou-os. Os documentos que Jarod havia falado realmente existiam. Sarah
tinha em casa os prontuários sobre os ex-maridos de Mary Ann, inclusive, o
equivalente ao montante em herança deixada a esposa. Aquilo tudo era muito
estranho...
Por um instante, Joseph sentiu-se
ameaçado.
Minutos mais tarde, quando Sarah
retornou para casa, ela encontrou Joseph sentado no sofá do escritório,
esperando-a. A doutora Walker empalideceu-se.
O Sr. Clark estava com os
documentos na mão, e perguntou tempestivamente:
— O que significa isso?
— Do que você está falando?
— Você é muito esperta, Sarah.
Mas, não o bastante!
— Joseph, não estou lhe
entendendo.
— Mas eu entendo você muito bem
agora. — comentou, irritado. — Eu seria o próximo da lista, não é?
A Dr.a engoliu a seco. Demonstrou
um rápido nervosismo, mas se conteve.
— Querido, sobre o que você está
falando?
— Isto! — respondeu,
mostrando-lhe os papéis. — Você matou os maridos de sua irmã. E queria me
matar também. — completou, um tanto decepcionado. — Tudo por dinheiro...
— Não sei nada sobre isso. Você
está maluco? — comentou Sarah. — De onde tirou essa loucura?
— Alguém disse um dia: se um
homem permanecesse em sua loucura, ele seria um sábio. — disse Jarod,
entrando sem pedir licença.
— O que você está fazendo? —
perguntou a doutora.
— Resolvendo um caso. —
respondeu Jarod.
— Você já o conhecia? —
perguntou Joseph, intrigado.
— Ele é um médico novato na clínica.
— Não pode ser. É o detetive
que contratei! — comentou Joseph. — Quem é você afinal? — perguntou.
— Isso não importa agora. —
disse Jarod.
— Eu vou chamar a polícia! —
retrucou Sarah.
— Ótimo. — comentou Jarod.
— Mas antes, deixe-me reavivar a sua memória, doutora.
— Esse homem é um maluco,
Joseph. Tire-o daqui!
No entanto, Joseph permaneceu
quieto. Não moveu um único músculo para atender as palavras de Sarah.
— Você usou o senhor Clark para
acabar com sua irmã. Por que Sarah, inveja? Que espécie de ser humano é você?
— perguntou Jarod.
— Estão todos loucos.—
comentou a doutora.
— Tão loucos quanto o filho de
Mary Anne que você reluta em dar alta, não é? Mesmo que o rapaz esteja pronto
para viver em sociedade, você insiste em mantê-lo preso naquela clínica.
— Você não sabe de nada!
— Engano seu, doutora. Sei de
tudo. — disse Jarod. — Por que você não confessa?
— Saiam daqui. Saiam!
— É querida. Confesse. Diga que
estou ficando maluco. — replicou Joseph.
Os olhos da doutora fumegavam como
duas labaredas de fogo, no entanto, quando percebeu que Joseph retirava a arma
do bolso do paletó, a doutora temeu as conseqüências.
Jarod apenas passou a observar
tudo atentamente. Seus olhos diziam que aquilo já era esperado.
Joseph apontou o revólver para
Sarah e engatilhou a arma, dizendo:
— Eu amei você. Mas, amo mais a
mim mesmo.
— Querido, por favor! Não faça
isso! — suplicou Sarah. — É tudo mentira desse lunático! Se você me
matar, será preso!
Sarah tentava de tudo para acalmar
Joseph.
— Mas, eu aprendi muito com você.
Não serei preso. — disse ele. — Não será assassinato.
— Suicídio. Boa idéia. —
comentou Jarod.
Sarah percebeu que não tinha mais
jeito. Ela tinha que fazer algo. Sua vida estava por um fio.
— Ok. Eu confesso. Fui eu mesma.
— disse ela, nervosa, porém disposta a viver nem que seja na cadeia.
— Por quê? Por dinheiro? —
perguntou Jarod.
— A princípio, pensei que fosse
por inveja. Ela sempre teve tudo. Não era adotiva. Mas, depois percebi estar
enganada. — disse Sarah. — Não existe nada melhor e mais influenciador do
que o dinheiro. — completou.
Joseph continuava a apontar a
arma.
— Podemos ficar juntos, Joseph.
— disse Sarah. — Você e eu. Acabamos com esse idiota e fugimos para bem
longe daqui.
— A única pessoa idiota por
aqui é você Sarah. — disse Jarod. — Bom, o Sr. Clark também. —
completou.
E repentinamente, o barulho das
sirenes dos carros da polícia impregnaram toda a área.
Joseph abaixou a arma, receoso.
Sarah tentou fugir, mas não foi muito longe. Inusitadamente, dois homens
vestidos distintamente a apanharam assim que ela abriu a porta.
Joseph estava cabisbaixo.
Pensativo, ele sabia que havia perdido tudo. Sua dignidade, a amante, e sua
esposa Mary Anne.
— Vocês não podem fazer isso.
Soltem-me! — gritava Sarah. — Vocês não têm provas!
Jarod retirou um gravador
escondido atrás de um vaso de flores do escritório e mostrou a Sarah Walker.
— Isso é ilegal, sabia? —
disse Sarah, irritada.
— Então me processe. —
comentou Jarod, sorrindo.
Sarah foi colocada no carro da polícia
e o senhor Clark em outro. E na saída, Joseph perguntou:
— Quem é você?
— Agente Ness. Jarod Ness do FBI.
Algum tempo depois, Jarod estava
de volta ao parque da cidade. Ele ficou observando Mary Anne e seu filho David
passeando juntos e sorriu satisfeito. Mary Anne o avistou e acenou agradecida.
— Você está bem, Sydney? —
perguntou Jarod, pelo celular.
— Estou sim. — respondeu num
tom de voz decepcionante. — Ainda bem que ligou Jarod. Preciso falar com você.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não. Mas, vai acontecer.
— Você descobriu algo sobre a
minha família?
Do outro da linha, Sydney fechou
os olhos decepcionado consigo mesmo. Ele não acreditava que estava brincando
com a inocência e a confiança de Jarod. E depois de uma breve pausa, ele
disse:
— Preciso falar com você,
pessoalmente, Jarod.
Por um momento, Jarod permaneceu
calado. O rapaz avaliou as circunstâncias, sentiu algo errado no tom da voz de
Sydney. Talvez ele estivesse precisando de ajuda. Pensou que podia ser uma
armadilha, mas instantaneamente, lembrou-se que Sydney não seria capaz disso.
— Deve ser um local movimentado.
Você escolhe o lugar, Jarod.
— Sydney... — dizia Jarod,
hesitante.
— Sim Jarod? — disse Sydney,
percebendo a desconfiança em seu silêncio.
— Está certo.
Jarod especificou um local bem
movimentado. Um lugar que ele já havia estado antes.
Horas mais tarde, em frente a uma
loja de cds, Sydney estava apreensivo, esperando por Jarod. O doutor olhava cada
instante à sua volta, na esperança de vê-lo e perceber que havia algo errado.
No entanto, Jarod estava atrasado.
O rapaz era esperto. Jarod olhava
as imediações a fim de descobrir se era realmente seguro. Ele confiava em
Sydney, mas não no Centro. E Sydney fazia parte do Centro.
Tudo parecia está de acordo.
Nenhum sinal de nada suspeito. Jarod resolveu ir falar com Sydney.
— É bom ver você novamente.
— comentou Jarod, aproximando-se.
— Jarod! — cumprimentou
Sydney, um tanto feliz em vê-lo, um tanto confuso.
— O que está havendo, Sydney?
O Dr. fitou-lhe por alguns
segundos e disse:
— Desculpe-me Jarod. Mas tive
que fazer isso para o seu bem.
— O quê? — perguntou o rapaz,
mansamente.
— Queira me acompanhar senhor.
— disse o segurança do Shopping, acompanhado por mais dois, aproximando-se
lentamente, com as armas em punho, prestes a atirar.
Sydney percebeu os olhos de Jarod
procurando entender o que aquilo significava, e desviou o olhar. Ele não
suportava a decepção nos olhos de Jarod.
— Por quê, Sydney? Eu confiei
em você.
— E nunca esqueça disso, Jarod.
— respondeu Sydney, misterioso.
Nesse momento, Jarod percebeu os
agentes do Centro se aproximando rapidamente. Ele tentou fugir, mas os seguranças
do Shopping ameaçaram atirar e Jarod teve que conter seus impulsos. Respirou
fundo e tentou pensar com mais calma. Olhou ao seu redor, procurou por algo que
pudesse lhe ajudar...
Sydney observou os agentes do
Centro. Estavam bastante perto. Jarod não tinha como escapar dessa vez.
Jarod fitou Sydney como se
estivesse pedindo por socorro. Mas, não adiantou muito. Mesmo que quisesse,
Sydney não tinha como fazer nada...
— Olá Jarod. — disse Raines,
saindo da loja de Cds, juntamente com a Srta. Parker, Sam e Willy.
Confuso por Sydney ter lhe traído,
Jarod não conseguia pensar com clareza.
Jarod sentiu-se encurralado.
To be
continue...
Continua
no próximo episódio
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PFF # Pretender
Fan Fiction "Confiar ou não confiar, eis a questão"(parte i)
Autora: Srta. X
( Ruth dos Anjos)
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"The
PRETENDER"
Criado Por
Steven Long Mitchell e Craig w. van Sickle
Personagens:
JArod
Senhorita Parker
Doutor Sydney
Broots
Senhor Raines
Ângelo
Senhor parker
Mary Anne Clark
Timothy Abel
Joseph Clark
David Leoni
Dr.a Sarah
Walker leoni
Tio Joe
Enfermeira Kelly
Homem de preto
Rastreador do
centro #1
Rastreador do
centro #2
Rastreador do
centro#3
vendedora
Seguranças do
shopping
The Pretender é
uma série de televisão criada por Steven Long Mitchell e Craig W. Van Sickle,
exibida na NBC, é interpretada por Michael T. Weiss, Andrea Parker e Patrick
Bauchau, dentre outros. No Brasil, atualmente, também é apresentada pela Rede
Record.
The Pretender é
Marca Registrada da NBC.
Este Fan Fiction
foi criado por mim mantendo assim os meus direitos autorais reservados ao site "O
Centro" Que não possui vínculo com a NBC.
Qualquer outra
exibição desta história em outro site deve ser, portanto, comunicada a mim.
Obrigada.
"The
Pretender" - O Centro
Site: http://www.geocities.com/ocentro
E-Mail: ocentro@yahoo.com.br
ou ocentro@thepretender.com
Mais informações
sobre a série visite o site oficial: www.nbc.com
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